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Moscou, Rússia

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Praça Vermelha, com Igreja de São Basílio, ao fundo, e os muros do Kremlin à direita
Praça Vermelha, com Igreja de São Basílio, ao fundo, e os muros do Kremlin à direita

A Federação Russa, tradicionalmente chamada de Rússia, foi palco da primeira revolução socialista da história (antiga URSS - União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Desde o fim da guerra fria, no início dos anos 1990, procura redefinir seu papel no cenário mundial e, ao mesmo tempo, solucionar os problemas internos decorrentes da transição do comunismo para o livre comércio. A unidade do país, composto de 80 etnias, é ameaçada por movimentos nacionalistas. O principal deles ocorre na Chechena. É a maior nação do mundo. Mais de 10 mil quilômetros e onze fusos horários separam Sochi, no oeste, de Vladivostok, no extremo leste. Seu vasto território ocupa dois continentes, a Europa e a Ásia. A parte européia, delimitada pelos montes Urais, concentra 4/5 da população e as principais cidades, entre elas a capital, Moscou, e a imperial São Petersburgo. As planícies inóspitas da Sibéria na porção asiática concentram as ricas reservas minerais que fazem do país um dos líderes mundiais na produção de carvão, petróleo e gás natural.

Dados Gerais

  • Geografia: área metropolitana 17.075.400 Km
  • Hora: +6GMT, no verão +7GMT
  • Moscou: é a capital do país, com 10.700.000 de habitantes
  • São Petersburgo: 5.100.000 de habitantes
  • Novgorov: 1.400.000 de habitantes
  • Ekaterinburgo: 1.310.000 de habitantes
  • População: 150 milhões de habitantes
  • Idioma: russo
  • Alfabeto: cirílico
  • Nacionalidade: russa, povo eslavo
  • Religião: cristianismo 57,4% (sendo 51,7% de ortodoxos) e islamismo 7,6%
  • Moeda: rublo russo. Cotação: 1 euro=35 rublos
  • Analfabetismo: 0,6%
  • PIB: vem crescendo 7% ao ano desde a era Putin
  • Índice de Desenvolvimento Humano: 64º lugar

Diario de Bordo

Moscou - No Coração da Rússia

Em Agosto de 2007 viajei à Rússia com meu colega Helinho Freitas. Ficamos fascinados com as Noites Brancas de San Petersburgo. A cidade é um museu a céu aberto, obra da imaginação e determinação de Pedro, o Grande, líder russo que foi influenciado pela cultura vigente na Europa Central - havia viajado muito por essa região e estudado na Holanda. Prosseguimos em direção do coração da Russia, Moscovo, e encerrando com visita a Vladmir, Suzdal e Seguiev-Possad, cidades medievais, mosteiros, sítios milenares, onde se originou o Império Russo.

Optamos por realizar o trajeto de San Petersburgo à Moscou, na primeira etapa do Expresso Trans-Siberiano. Achei que seria um barato, já que nunca consegui alguém para aventurar-se comigo na transiberiana. O Transiberiano não é só sinônimo de lenda. Penso, e li, que é uma experiência incrível, onde o trajeto é mais importante que o destino. São 9289 quilômetros de Moscou a Pequim, cruzando dois continentes, 10 fusos horários, 87 cidades russas e, de lambuja, a Mongólia e o Deserto de Gobi. É a única viagem que me arrependo de não ter realizado. Minha experiência no emblemático recorrido foi como eu imaginava: misteriosa e tensa. Já no embarque, o controle de passaporte e tickets, fez-me lembrar do traumático ingresso a Berlin Oriental, na época da Cortina de Ferro. A sensação era de insegurança. A tripulação era composta só de mulheres oficiais. Típicas eslavas: loiras, fortes, sisudas e de rostos rechonchudos, mas de feições harmônicas. Pareciam agentes da KGB. Caras de poucos amigos. O rolo que causou a inversão de meus sobrenomes foi de uma burocracia burra e inexplicável. Superado o entrave, fomos relaxar com Luiz, nosso excelente guia espanhol, tomando umas cervejas no carro restaurante, onde ficamos conversando até altas horas com um grupo da Catalunha. A decoração do carro-restaurante era toda em veludo vermelho lembrando o lendário Expresso do Oriente. Entranhávamo-nos no coração da Rússia, e já sentíamos a dureza de um povo que ficou isolado do mundo por anos, e ainda hoje, a mais de uma década de abertura, desde a Perestroika de Mikhail Gorbatchev em 1989, sente dificuldades de comunicar-se.

Revendo filmes como Dr. Jivago, Encouraçado Poytekin e pesquisando sobre escritores como Tolstoy e Dostoiévski, que descreveram magistralmente os costumes da sociedade soviética da época, preparei-me para compreender algo de um povo tão diferente do nosso.

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Clareava o dia quando chegamos à belíssima estação Leningradsky Vokzal. O belo e compacto prédio da estação faz parte do acervo dos antigos prédios da cidade. Por sorte não sofremos atentado dos separatistas Chechenos, ocorrido dois dias antes de nosso embarque. Como toda estação, fervilhava de gente estranha circulando apressada. Gente de tez morena, olhos verdes e vestimentas coloridas como ciganos. Seriam talvez do Uzbequistão? Jovens militares com seus típicos uniformes cor azeitona e golas vermelhas, e pessoas idosas com seus gorros cossacos para proteger-se do frio da manhã, faziam parte daquele mundo enigmático. Era a expressão de um país multi-étnico. Adoro ficar observando as pessoas nos aeroportos e estações. Elas têm seu atrativo, e nossa imaginação cria asas diante do confronto com culturas tão diferentes.

Moscou tem o dobro de habitantes de San Petersburgo - 11 milhões - o que complicava muito nossa tarefa de querer desvendá-la. A capital da Rússia surpreende logo na chegada. Do aeroporto ao centro sucedem-se amplas avenidas, prédios históricos misturam-se com igrejas bizantinas; um trânsito frenético, cassinos, bares e um sem fim de letreiros no alfabeto cirílico, que aumenta mais ainda nossa curiosidade. Em nenhuma outra cidade da Rússia você verá tão evidente os contrastes do pós-comunismo. No trajeto do aeroporto até o hotel, algo chama a atenção: o horizonte da cidade é cortado por enormes prédios em forma de pirâmide - são os chamados edifícios de Stalin. Foram construídos para residência de membros do partido vindos do interior, artistas, escritores e cientistas. Dois se destacam; a Universidade de Moscou, e um que foi transformado no luxuoso Hotel Ukrania, às margens do rio Moskva. O estilo deles ficou conhecido como gótico stalinista.

A língua incompreensível e um povo isolado por anos e sem compreender outros idiomas, causam sensação de distância, e à primeira vista, é difícil penetrar na alma da cidade. Com o tempo usamos de um recurso que na minha experiência, quebra barreiras: usar o básico que havíamos aprendido de russo: spassiba (obrigado), niét (não), dá (sim), pazaluísta (por favor) e peshkom (a pé). A reação foi instantânea. Sorriam quando pedíamos uma informação.

Nosso roteiro não poderia deixar de iniciar pela Praça Vermelha - Krasnaya Ploschad. Ali se originou, ali está o coração e o palpitar daquela cidade milenar. Sem dúvida é um dos conjuntos arquitetônicos mais impressionantes que se tenham construído. Localizada entre as Muralhas do Kremlin, com suas 18 torres, a Catedral de San Basílio, o Museu Histórico Nacional e o Shopping GUM (Glavny Universalny Magazin), esta enorme área calçada com pedra é o coração turístico de Moscou.

Foi criada no século XV por Ivan III para funcionar como mercado. A origem de seu nome não tem referência com o comunismo, nem com a cor vermelha dos tijolos dos prédios que a formam, mas se origina da palavra russa krasnaya, que significa bela. Ao fundo da praça, como se fosse tirada de um conto de fadas erguem-se as imponentes torres multicoloridas da Catedral de San Basílio, um milagre arquitetônico, o principal ícone turístico de Moscou.

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Torres típicas das igrejas ortodoxas russas, com suas cúpulas coloridas, se espalham pela cidade, chegando ao apogeu na Praça das Igrejas, a Catedral da Anunciação, com suas cúpulas douradas, onde foram coroados os reis russos, e a Catedral da Assunção, dentro dos muros do Kremlin. Nosso próximo endereço foi nada mais, nada menos, que o famoso metrô da cidade. Criado em 1931 por Stalin, ele dizia que era o museu do povo. É barato, limpo, eficiente e por ele transitam oito milhões de pessoas por dia. É impactante sua beleza arquitetônica, decorada com os mais variados tipos de materiais que abundam naquele país continental. É uma aula de história e uma propaganda do regime soviético da época. O foco central de toda a parte pictórica tem como centro o trabalhador – com uma imagem sempre feliz. Os números do metrô de Moscou impressionam: com 278 quilômetros de extensão distribuídos em 12 linhas e que contam com 171 estações, cada uma mais linda que a outra. Perder-se pelo labirinto de suas profundas estações é um achado. Diria mais, que é um barato, e um dos melhores programas que a cidade nos oferece. Com um único bilhete pode-se passar um dia inteiro percorrendo suas estações, que em tempo de guerra serviam de refúgio. Para mim, as mais bonitas se localizam na zona do Kremlin e do Teatro Bolshoi: Plochad Revolutsi e Teatralnaya.

À medida que começamos a trilhar pelos lugares históricos mais importantes fomos mudando a impressão sobre Moscou. Em vez de encontrarmos uma cidade empoeirada pelo tempo e vivendo de seu passado glorioso, vemos uma cidade pujante, um canteiro de obras que acompanha seu crescimento de 7% ao ano desde o início da era Putin. Hoje, depois da crise mundial de 2008 e da atual queda do preço do petróleo, enfrenta sérios problemas econômicos.

Em suas largas e bonitas avenidas que bordejam o rio Moskva, não são somente os desbotados e obsoletos Ladas que circulam, mas imponentes 4x4 que se vêm em toda sociedade próspera. O rio Moskva corta a cidade, e com suas 18 pontes serve de importante referência. Moscou também é ligada através de canais ao rio Volga, ao Mar Negro e ao Mar Báltico.

A Rússia ainda não está preparada para tirar proveito de suas potencialidades como destino turístico. Acervo cultural é que não lhe falta. O idioma cirílico atrapalha, e muito; poucos russos falam outros idiomas e a maioria dos hotéis são de 4 ou 5 estrelas, o que encarece para a maioria dos viajantes. Felizmente temos que tirar proveito das situações. Hospedamo-nos no Hotel Mezhdunarodnaya - 5 estrelas, recém inaugurado. A maioria das agências de viagem usam esta categoria de hotéis, que são enormes, a preços irrisórios, para cobrir a demanda. Ainda bem, pois depois de mais de 12 horas perambulando pelas maravilhas que a cidade nos oferecia, só uma cama cômoda e um ar programado a 22° C para repor o cansaço. Ademais, nosso hotel estava frente ao rio Moskva, o que facilitava orientar-nos. Quem gosta de aventurar-se por sua conta e risco, fica limitadíssimo viajando pela Rússia. Somente os orientais ou os masoquistas para sair com um mapa decifrando os nomes de ruas e logradouros como se fossem hieróglifos. Em dias de folga costeávamos o rio até a Rua Novi Arbat, onde estão os bares, restaurantes, cassinos e jovens mostrando suas aptidões artísticas. Mas o melhor foi quando retornamos por uma paralela que se chamava Stare Arbat: palavra do eslavo antigo que significa velha. Um encanto caminhar despreocupadamente por esse recanto de Moscou, reservado só para pedestres. Lojinhas típicas, com Matrioscas, Ovos Fabergé, artesanato da melhor qualidade, camisetas com dizeres russos, restaurantes turcos, armênios e italianos. Não a encontramos por acaso. Foi orientação de Vitória, nossa guia russa de belos olhos azuis e uma memória privilegiada. Perguntando muito é uma forma de descobrirmos coisas interessantes. Tire o suco de seu guia, obviamente com perguntas pertinentes. Fomos também programados para assistir a um espetáculo de balé. Tentamos primeiro no Teatro Mayrinski, em San Petersburgo, e a continuação no Bolshoi, em Moscou, mas ambos estavam em reforma. Conseguimos entradas para uma apresentação da Academia Russa de Balé, com um repertório bem variado que nos dava uma amostra de uma arte que eles adoram e dominam. Valeu a pena. Fomos acompanhados por nossos guias Luiz e Vitória.

Aproveitamos também para visitar a Galeria Tretiakov - um dos museus mais importantes do mundo - onde apreciamos séculos da melhor arte russa e ao Museu de Belas Artes Puskin. Meu faro de viajante identificou quatro lugares onde se sente melhor a alma da cidade: a peatonal Stare Arbat, as estações de metrô, o Mercado de Pulgas – Vernisazh – funciona no Parque Tsmaylovsky, nos sábados e domingos, e o Parque Gorky.

Creio como viajante romântico, que o melhor é ficar tudo como está. Em estado quase virgem como foi concebido. Porque temos que padronizar tudo? Arranha-céus, tudo em inglês, tudo globalizado? O tempero está em cada um se virar como pode. Antene-se, use bússola, GPS, se possível. Seja amável e pelo menos se esforce em aprender o básico do idioma local. Que bom ter visitado a Rússia ainda em seu estado quase puro.

O que visitar

  • Kremlin - É o conjunto arquitetônico mais impressionante do mundo, uma cidade dentro de outra, que iniciou em 1156. Toda a cidade russa tem seu Kremlin, que significa fortaleza, mas o de Moscou é o mais importante de História Russa. A Torre Spasskaya é considerada por muitos como a mais bonita das 18 torres do Kremlin.
  • Catedral da Anunciação - Com suas cúpulas douradas foi onde coroavam os czares.
  • Catedral dos Doze Apóstolos
  • Catedral da Assunção - Com suas cúpulas em forma de bulbo.
  • Catedral de San Basílio
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Artes

  • Moscou tem mais de 30 teatros e mais de 900 bibliotecas.
  • Teatro Bolshoi - (1821-1824) Dispõe de 2150 poltronas de veludo vermelho e tem seis galerias. As dimensões de seu palco são: 21m de largura, 26m de profundidade e 18m de altura.
  • Galeria Tetriakov
  • Museu de Belas Artes Puskin
  • Museu Dostoievsky
  • Museu Tolstoy

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  • Metrô - Suas estações são dignas de admiração. São freqüentes, cômodos, rápidos e limpos. Une 90 estações, cada uma mais espetacular que a outra. São verdadeiros museus. Por ele passam oito milhões de pessoas/dia com uma eficiência invejável desde 1931. São 12 linhas. A maior é Komosovskaya e uma das mais belas é Mayakovskaya.
  • O centro é envolvido por um anel rodoviário e entrecortado por diversas avenidas que conduzem ao miolo da cidade, onde esta o Kremlin. O Rio Moskva corta a cidade e com suas 18 pontes serve de importante referência. A cidade é ligada ao Rio Volga, ao Mar Negro e ao Mar Báltico através de canais.

Áreas Verdes

  • Parque Iskasstur - É um dos mais belos recantos da cidade.
  • Parquie Gorky - Também chamado Parque da Cultura é um dos maiores parques urbanos da Rússia. Localiza-se perto do Kremlin e leva seu nome em homenagem ao escritor russo Maximo Gorky. É o maior da cidade.

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Jardim de Alexandre
Jardim de Alexandre
  • As Torres de Stalin
  • Hotel Ucrânia

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Hotel Ucrânia
Hotel Ucrânia
  • Mercado das Pulgas - O melhor lugar para fazer compras na cidade. Funciona no Parque Tsmaylovsky aos sábados e domingos. Podem-se comprar desde peças de antiquário até Tapetes do Cáucaso.

Onde Parar

Todos os hotéis tem café da manhã incluído e são fartos e variados. Moscou não é um lugar barato para alojar-se. Os hotéis pequenos, simples e baratos que existem nas outras cidades européias ainda não chegaram aqui.

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Torre de Spaskaya - Kremlin
Torre de Spaskaya - Kremlin