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Mochilão no Extremo Oriente - parte I

China, Beijin - A Grande Muralha

Em 2014 iniciei uma nova etapa em minhas aventuras. Só alçarei vôo com meus afetos. Os que foram convidados e não aceitaram, não sabem o que perderam. Comentei ao meu filho Martin se ele gostaria de arriscar-se comigo até a China. Só se não for de excursão! Vamos fazer um mochilão! Aquilo soou como um tremendo desafio, já que estou tirando o pé do acelerador e busco um pouco de conforto. Conhecendo-o, sabia que ele se entusiasmaria, pois já tem inoculado o vírus dos andarilhos. Daí pra frente foi tudo muito prazeroso. Eu lhe propus o roteiro: Dubai, Beijing, Shanghai, Hong Kong e Macau, e disse que viajaríamos pela Emirates. Acredito no destino, mas creio ser uma escolha sensata. Aviões novos, conceito elevadíssimo e muito dinheiro para uma excelente manutenção. São Paulo Dubai são 14 horas de vôo, e depois, mais oito até Beijing. É longe pra burro! Pensei que para vôo tão longo eu teria que conseguir um assento nas saídas de emergência, algo que não é fácil, já que não tenho bala na agulha para viajar como um marajá na classe executiva. Escolhemos e reservamos os hotéis via internet, e desbravaríamos a Terra de Confúcio na marra. Estávamos descontraídos e riamos muito de como eu me ensaiava para conversar a funcionaria da Emirates. Foi divertido e tirou o foco dos problemas das tais viagens longas. Consegui convencer a funcionaria que meu esqueleto era judiado, e por fim, viajamos cômodos. Nosso hotel em Dubai era muito bom, com ótima localização, e não tínhamos hora para sair e nem compromisso com ninguém. Eu já havia estado lá em 2010 por 10 dias com o Rodrigo Steiner. Seria seu guia, e trataria de em três dias mostrar-lhe o mais interessante daquele Oásis no Oriente Médio.

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Beijing foi nosso primeiro contato com a misteriosa, e hoje, tão de moda China. Parti com o firme propósito de para evitar estresse durante a viagem, mas a barba do Martin, fez com que o agente aduaneiro nos revistasse. E, ademais, perguntava: Que vem fazer? Aonde vão se hospedar?. Sai um pouco do sério e disse: “Amigo, eu sou médico e tenho que retornar. Jamais pensei morar na China! Pretendemos passear nada mais!”.

Nós já sabíamos como funcionava o sistema de taxis e a saída do aeroporto foi algo selvagem. Sem organização nenhuma e sem falar mandarin, dependíamos do humor dos estressados taxistas. O cara que nos levou bocejou durante todo o trajeto. Já de chegada enfrentávamos os dois principais problemas: a comunicação, pois ninguém fala inglês, e a esperteza dos taxistas.

Pesquisando na internet vi que os monumentos mais importantes estão num bairro bem restrito e achei razoável a idéia de hospedar-nos na região. Escolhemos o Shatan Hotel Beijing – ao lado da Cidade Proibida. Fazia-nos lembrar os filmes de Claude Van Dame contra a máfia chinesa. Foi nosso simples, mas confortável home por cinco dias numa das mais populosas cidades do planeta. Começava nosso mochilão e fardei-me de tênis e bermuda para iniciamos nossa jornada. Após o café sai para ver como se apresentava o dia, e como já imaginávamos, jamais tivemos um céu de brigadeiro em Beijing. A poluição atmosférica na China cobrará em curto prazo seus dividendos. O transito é caótico, mas acontecem poucos acidentes. Eles andam devagar, e é comum você quase ser atropelado por uma bicicleta em plena calçada, pois elas são elétricas e silenciosas. O primeiro tirão foi duro. A Cidade Proibida – Fortaleza que por séculos isolou as dinastias que estavam no poder-, estava perto, mas a entrada ficava muito longe. Longe mesmo. Levamos uma manhã inteira para passear por toda a cidade. A milenar arquitetura chinesa é impar, e diferente de tudo que nós ocidentais estamos acostumados. Creio que a adrenalina que corre em minhas veias quando estou viajando elimina a dor. O que é cientificamente comprovado. Depois de todo esse massacre para a ossamenta, fomos relaxar e almoçar em um dos bairros mais descolados da cidade – Nanluongusian – que por sorte estava ao lado. Uma antiga rua comercial de 700 anos transformou-se num lugar cool. Era o point de Beijing. Galerias de arte, cafés aconchegantes e pequenos restaurantes; butiques de bom gosto, livrarias, lojas de moveis antigos, pequenos teatros e até salas de massagem. É aqui que eu vou provar a mão das chinesas, disse ao Martin! Se em cada final de percurso eu fizer uma massagem, esta garantida a viagem. Aproveita para observar as lojas e nos encontramos em uma hora. A sala de massagem era de fundo de quintal. As casas eram antigas e todas de madeira. Consegui chegar seguindo uma flecha que dizia – massage -. Eu não buscava luxo e sim mãos competentes e suaves. Acertei o preço primeiro porque depois o incomodo seria grande. O lugar era muito estranho. Algum santo deve proteger-me, pois arrisco demais. Renovado, encerramos o dia visitando o Templo do Céu, que estava a poucos quarteirões de nosso hotel. Este monumento que é Patrimonio da Humanidade pela Unesco, foi construído 1420. A Sala de Oração pelas Boas Colheitas que é a parte mais importante do conjunto é talvez o mais conhecido e o mais representativo monumento da cidade de Beijing.

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Retornamos ao hotel e após um banho reparador iniciamos as tratativas de deliciar-nos com um Pato Laqueado. Fizemos a reserva. Dizem que viajar pela China e não provar esta iguaria é cometer um sacrilégio. Até hoje estou salivando por tão refinada iguaria. Sempre que reservávamos, chegávamos atrasados. Os restaurantes na China fecham às 22 horas. Nosso próximo destino foi visitar o Ninho de Pássaro, estádio que se tornou famoso depois da Olimpíada em Beijing. Uma obra de engenharia belíssima e arrojada. Preferimos usar transporte público. Foi um Deus nos acuda. Muita gesticulação e muita gritaria. Eles são tantos e com tão pouca paciência que pensam resolver tudo no grito. São muito toscos. Aclaro que em todos os hotéis te dão um card onde estão as mais importantes atrações e sua correspondente tradução em mandarim. Eu tinha um em cada bolso. É a garantia do turista, Dizia também que devíamos pedir recibo a todo taxista. Foi muito complicado atravessar aquela megalópole em transporte publico. Foi um baita desafio, mas nós gostamos de desafios. Já no rumo certo, há umas dez quadras via-se a imponente e inconfundível estrutura do estádio. Novamente caminhamos muito até a bilheteria. Compramos os tickets e embarcamos num trenzinho. A impaciência do motorista era constrangedora. Realizamos a visita e ao querer retornar fomos embarcar no mesmo trem, pois a saída era longe. O cara olhou nossos boletos e aos gritos novamente, ordenou que apeássemos. Não consigo entender como uma pessoa vai tirar só a ida! Nesse momento, e no relacionamento com os taxistas, sentimos que não dependem nem se interessam pelo turismo externo. Eles, com seu 1 bi e 400 se bastam, e ademais são demasiados toscos. Até pouco tempo a China era uma sociedade eminentemente rural. O relacionamento com os taxistas foi traumático desde a chegada ao aeroporto de Beijin. Nós já estávamos familiarizados com todo tipo de mutretas, através de relatos de viajantes. Eles são obrigados a dar recibo, que se chama fiapo, e eles não gostam que se peça recibo. As tarifas eram muito baratas e nós já tínhamos aprendido todos os macetes. Os táxis cor azul não tem taxímetro e cobram o que querem. No retorno, evitamos o transporte publico e, mostramos ao motorista que queríamos passar pela Praça da Paz Celestial. Foi só por curiosidade pelo momento do estudante que comoveu o mundo enfrentando os tanques. Algo sem graça para nós que amamos a liberdade.

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É caminhando que sentimos o cotidiano de um povo, Em uma de nossas caminhadas passamos por um espaço publico onde idosos praticavam tênis de mesa. Aproveitei para bater uma bolinha com eles e senti que a saúde mental dos chineses é de dar inveja. A Cultura Oriental prioriza o cuidado de seus idosos. Um exemplo para nós.

Por último nos faltava visitar a Grande Muralha, construção milenar, que se estende por sete mil quilômetros e é o mais emblemático monumento do país. Depois de muita negociação, escolhemos contratar um taxi, junto de outro hospede inglês, pois nos saía mais em conta, e com mais comodidade, pois evitaríamos participar de uma excursão de um dia com visita a lojas de pérolas, seda e souvenirs. Nosso chofer foi recomendado pelo hotel e falava um inglês razoável. Partimos cedo, e combinamos fazer um lanche leve antes de subir. Combinamos que ficaríamos três horas para desfrutar sem apuros de uma das Maravilhas do Mundo. Mutianyu está localizada há apenas noventa quilômetros de Beijing, e é a parte mais bela e mais bem conservada – conhecida por suas torres da guarda da dinastia Ming -. Ademais, tem a vantagem de pouca afluência de turistas por estar mais retirada. Havia duas formas de subir: em teleférico ou caminhando.Caminhando nem pensar falei! Como não gosto de altura, fechei os olhos e entramos na gôndola. A paisagem era de tirar o fôlego, pois a Muralha está rodeada de uma floresta de pinos e ciprestes. Martin subiu muitos degraus e foi até a próxima torre. Eu fiquei admirando o espetáculo. No retorno, ele optou por descer de tobogã e eu tive que enfrentar o teleférico sozinho. Ele ajudou-me a subir na gôndola e quase caio ao subir. Foi muito divertido. A sensação de escutar somente a brisa que vinha da densa floresta foi incalculável. Com esse cenário idílico e impressionante nos despedimos de Beijing. Cansados de tanto subir degraus, optamos retornar ao hotel e descansar, deixando o Pato Laqueado para Shangai.

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