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Budapeste, Hungria

Dados gerais

  • Idioma: húngaro, alguns falam alemão.
  • Moeda: florin.
  • Capital: Budapeste, com 1.712.210 habitantes (2009)
  • Religião: cristianismo (87%); grande tradição católica
  • Governo: sistema parlamentarista
  • Nacionalidade: húngara
  • Economia: agro-pastoril

A Hungria é formada por descendentes dos magiares, cavaleiros oriundos das margens do rio Volga, que no século IX expulsam eslavos e germânicos e fundam um reino convertendo-se ao catolicismo no século X sob o reinado de Estevão I. Os hunos deixaram suas marcas por lá, pois, inúmeros logradouros e pessoas levam o nome de Átila.

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Vista da cidade, desde o Bastião dos Pescadores
Vista da cidade, desde o Bastião dos Pescadores

Os parentes mais próximos dos ancestrais húngaros são finlandeses, estonianos e algumas tribos da Sibéria onde todos falam línguas pertencentes ao grupo fino-úgrico. O idioma húngaro só perde em dificuldade para o árabe e o japonês. É uma língua isolada e se não fosse o fato de muitos húngaros falarem alemão e com a abertura do turismo e as gerações mais jovens estarem aprendendo o inglês, a comunicação seria impossível.

Dos três países que visitamos, a Hungria parece o “menos Europeu”. Sua posição geográfica é um verdadeiro entroncamento de rotas continentais, transformando-a num retalho de grupos étnicos: eslavos, alemães, turcos, romenos e ciganos. É a última fronteira do mundo ocidental; a oeste começa o mundo bizantino.

Diário de Bordo

Budapeste - "A Pérola do Danúbio"

Nada melhor para descobrir Budapeste que iniciar pelo histórico rio Danúbio, referência geográfica fundamental na formação dos povos da região. O Danúbio separa as colinas da histórica Buda, cidade real onde estão os monumentos históricos mais importantes e Pest onde se localiza o centro comercial. O conjunto do Palácio Real, Igreja Matias e o prédio do Parlamento, todos situados às margens do rio, fazem parte do Patrimônio Cultural da Humanidade.

Chegamos à Budapeste de ônibus vindos de Praga, via Eslováquia. Que mundo extranho encontramos! O viajante sente como se viajasse no tempo. O idioma é mais raro ainda, repleto de diferentes acentos. As placas escritas em uma língua difícil de entender tentam mostrar as direções, mas como a cidade é muito bem servida de transporte público torna-se fácil se orientar. Aprendemos algumas palavras para facilitar nossa estada: rua se diz utca, praça se diz tér e cerveja é sör. Obrigado é köszonöm e alô se diz jó napot kívánok. Férfiak quer dizer homens e nök mulheres. Trate de gravar esses nomes para não entrar no toalete errado.

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Visão da “Ponte das Correntes” e do Castelo, à noite
Visão da “Ponte das Correntes” e do Castelo, à noite

Oito pontes de diferentes estilos unem as duas partes da cidade. Os bairros mais elegantes estão nas colinas de Buda e em Pest, mais moderna, as avenidas se assemelham aos bulevares parisienses. Algumas cenas do filme Evita foram filmados lá, em locais que lembram muito a avenida de Maio, em Buenos Aires. Budapeste ademais de seus 2000 anos de história tem algo importante para quem viaja para a zona do euro: é uma cidade barata.

Estávamos hospedados no hotel Stadion, localizado em frente ao Estádio Nacional Ferenc Puskas; uma referência importante para nós brasileiros que gostamos de futebol. Puskas é considerado ídolo nacional (foi jogador do Honved, seleção húngara e Real Madrid). Depois de navegar no lendário rio observando seus prédios históricos, fomos em busca de suas misteriosas saunas e banhos turcos, influência de anos de ocupação otomana. Nos banhos turcos do Hotel Géllert, com suas piscinas cobertas com vitrôs estilo art deco, homens de turbante relaxam ou jogam xadrez em tabuleiros flutuantes.

Continuamos nosso passeio pela praça Vörösmarty tér, o principal ponto de encontro de Pest. Ali começa uma área restrita a pedestres, a Váci utca, rua elegante e agitada onde convivem as mais modernas e famosas marcas. Numa das extremidades do passeio está o Mercado Central (Nagy Vasarcsarnok) construído pelo arquiteto Eiffel, uma maravilha de arquitetura em tijolo e ferro do século IX, com um aspecto de estação de trem onde encontramos artesanato e especiarias e no outro extremo um dos cafés mais famosos do mundo, o Café Gerbeaud, onde os budapestinos a 150 anos se reúnem para conversar. Poucas coisas tem mais a ver com Budapeste que o Café Gerbeaud (é tão tipicamente húngaro quanto um prato de gulash).

Depois de um café no terraço do Gerbeaud, quando já caia à tarde, caminhamos em direção ao Passeio do Danúbio para comer obviamente um gulash, regado de boa cerveja húngara e escutando música cigana nos deliciamos com a vista do Castelo e da Ponte das Correntes iluminadas.

O que visitar

  • Distrito do Castelo: use o Funicular que o levará até o topo da colina onde esta o Palácio Real. No bairro com suas ruas pavimentadas de pedra encontrará edifícios da era dos Habsburgos. O palácio foi residência dos reis húngaros por setecentos anos. Atualmente é um centro cultural com museus, biblioteca e teatro (Galeria Nacional Húngara).
  • Igreja Mathias: tem setecentos anos (lá os reis eram coroados). Neo-gótica.
  • Parlamento: localizado as margens do Danúbio impressiona por sua imponente fachada neo-gótica (é o segundo maior da Europa), sendo o mais famoso edifício da cidade. Claramente inspirado no Palácio de Westminster, de Londres, a sede do Parlamento húngaro tem 691 salas e mais de 20 quilômetros de escadas. Em 1972 a UNESCO decretou o Distrito do Castelo e as margens do Danúbio como Patrimônio Cultural da Humanidade.

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Parlamento, às margens do rio Danúbio
Parlamento, às margens do rio Danúbio

  • Bastião dos Pescadores e Estátua Equestre de San Estevan:: um dos pontos característicos de Buda e de maior concentração de visitantes. É um miradouro onde se tem a melhor vista da cidade.
  • Hotel Géllert: os vestígios da ocupação turca de 1541 a 1686, ainda são detectados na reverência do país pela tradição dos banhos públicos (banhos turcos). O hotel Géllert, uma jóia da arquitetura art nouveaux foi construído em 1900 sobre 18 fontes termais, tendo como inspiração as termas de Caracala. Sob as espetaculares cúpulas decoradas com vitrais e os mosaicos marchetados de ouro, moradores locais jogam xadrez (outra mania local) em tabuleiros flutuantes. Tomar uma sauna em Budapeste é como tomar um chope no Rio: um hábito arraigado, que faz parte da vida das pessoas.
  • Passeio de barco no Danúbio: imperdível! Visitar a Ilha Margarida (uma das maiores belezas naturais de Budapeste - parque de recreação).

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Banhos Turcos no Hotel Géllert
Banhos Turcos no Hotel Géllert

  • Ponte das Correntes ou Széchenyi: é um dos símbolos da cidade.
  • Basílica de San Estevan: a maior igreja de Budapeste (estilo neo-renascentista).
  • O antigo bairro judeu de erzsébet: lá se encontra a maior sinagoga da Europa.
  • Avenida Andrássi: lindas mansões do século XIX e a Ópera de Budapeste.
  • Praça dos Heróis: localizada no Parque Municipal.
  • Museu Nacional: o mais importante monumento da arquitetura clássica húngara.
  • Visite na rua Váci a Casa dos Amigos da Flores, Philanthia.
  • Visite o primeiro metrô da Europa Continental.

Algumas dicas sobre Budapeste

Transporte público

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Chegando do aeroporto via ônibus e metrô, placas alertam quanto a batedores de carteira - tarde demais, pois já haviam levado a carteira de meu parceiro de viagem.

Os húngaros se orgulham de seus meios de transporte. Em 1896 inauguraram o KIS FOLDALATTI (pequeno subterrâneo), primeiro subterrâneo da Europa Continental, que ainda une a Praça Vorosmarty Tér com o Parque Nacional. Foi construído para a EXPO de 1900. São limpos, seguros e eficientes.

Existem 3 linhas:

  • M1: cor laranja
  • M2: cor vermelha
  • M3: cor azul

1 euro = 260 florins
1 ticket = 185 florins (ida e volta)

As duas estações de metrô chaves para mover-se pelo centro são Astoria e Deák Tér.

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Mapa da cidade, com as linhas de metrô
Mapa da cidade, com as linhas de metrô

Gastronomia

Os restaurantes são refinados, servindo a deliciosa comida do país, onde pontificam o “Gulash” (prato nacional), o caviar, o patê de “foie” e pratos à base de páprica. A páprica húngara é uma espécie de pimentão vermelho que somente nasce naquele país e tem um gosto muito característico, delicioso, servindo de suporte e tempero para diversos pratos. Além da música, outro acompanhamento à deliciosa comida húngara são os vinhos finos do país. Produzidos especialmente na região de solos vulcânicos de Tokay.

Pratos típicos

  • Gulash de carne (a melhor variação é feita com carne de terneiro).
  • Porkolt, estofado de carne variada.
  • Roston, carne grelhada.
  • Rantott, carne empanada.
  • Halaszle, sopa de pescado.
  • Os doces e tortas são tradicionais no país.

Bebidas

  • Licores e a tradicional palinka (aguardente de frutas que os ciganos tomam de um trago só).
  • Vinhos: Tokay.
  • Recomendamos o Karpatia Restaurant & Brasserie – comida tradicional húngara com música cigana.
  • Uma noitada num bom restaurante húngaro é programa para ser lembrado durante muito tempo.

Cafés

  • Gerbeaud (Vörösmarty tér 7): localizado no coração da praça Vorosmarty, data de 1870.
  • New York (Erzsébet Korut 9): se considerava a confeitaria mais bonita do mundo, data de 1894.

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Café New York, um dos mais luxuosos do mundo
Café New York, um dos mais luxuosos do mundo

Museus

  • Museu da História de Budapeste
  • Museu Ferenc Lizt
  • Museu de Belas Artes
  • Museu Hebreu
  • Museu do Transporte
  • Museu da Farmácia
  • Museu do Serviço de Confeitaria e Comércio - sua recriação da história da confeitaria confirma a predileção dos húngaros pelos doces. É para deleitar-se a vitrina dedicada a Emile Gerbeaud, o famoso confeiteiro suíço-húngaro inventor da cereja ácida ao conhaque banhada em chocolate.

Artesanatos

Nas bancas e quiosques das ruas se vendem desde delicados trabalhos de renda até as famosas matrioskas (bonequinhas de madeira de diversos tamanhos encaixadas uma dentro das outras) e diferentes tamanhos de cofres de madeira, onde só encontramos a chave se seguirmos os passos ensinados pelo vendedor.

Ciganos e Música

Dos 6 milhões de pessoas dessa etnia que se calcula existir na Europa, cerca de 400 mil estão na Hungria. Ser cigano na Hungria sempre foi sinônimo de ser músico. Como curiosidade, uma informação: um dos mais conhecidos compositores húngaros, Franz Lizt, aprendeu violino e teoria musical com o cigano Bihary. Lizt tornou a música húngara querida no mundo inteiro através de suas Rapsódias Húngaras.

Hospedagem

  • É muito comum a hospedagem em casas de família (bed & breakfast).
  • Reservas: Ibusz, Petori 3, junto à praça Engels.
  • Budapeste Tourist: Roosevelt tér 5.

Figuras ilustres da Hungria

  • Franz Lizt, grande compositor e um dos melhores pianistas de todos os tempos.
  • Bela Bartok, arquiteto do nacionalismo musical húngaro.
  • Theodor Herzl, jornalista judeu que se tornou fundador do moderno sionismo político.

“Os humanistas italianos da época diziam que não havia cidade mais bonita nas planícies que Florença, na costa que Veneza e nos montes que Buda”.