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Mochilão no Extremo Oriente - parte II

Shanghai - cosmopolita e charmosa

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Shanghai, vista de noite
Shanghai, vista de noite

O cotidiano do povo chinês se repetia. Gente demais, carros demais, bicicletas, informação visual – tudo superlativo. Depois de voar duas horas pela Air China, estava fresco e ansioso por conhecer Shanghai. Com a ajuda da empreendedora uruguaianense Mariel Sambucetti, que reside lá, nos hospedamos em um flat no Fraser Residence. Iniciávamos agora um mochilão fashion. Nosso new home tinha muitas comodidades: um Spa e dois restaurantes na cobertura - um mexicano e um naturalista. É o tipo de acomodação preferida dos empresários, que às vezes ficam por meses na cidade.

A primeira impressão já no trajeto do aeroporto para o hotel foi de uma cidade pujante. Localizada no delta do Yangtze, do qual o rio Huangpu é um dos afluentes, espraia-se majestosamente em direção ao Mar da China. A poluição é mais baixa em comparação com o resto do país. Durante nossa estada a temperatura foi amena e variou de 15 a 23, e conseguimos desfrutar algumas vezes um céu de brigadeiro. Rivaliza com Beijing como maior cidade do planeta e após 2005 tornou-se o maior terminal em carregamento de cargas do mundo. Cerca de 200 milhões de toneladas de mercadorias passam anualmente pelo local. O porto de Shanghai é o motor propulsor de toda a economia chinesa, que por quase três décadas chegou a crescer a impressionante taxa de mais de 10% ao ano.

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Shanghai, cosmopolita e charmosa
Shanghai, cosmopolita e charmosa

Eu estava ligado em ver as transformações que haviam ocorrido nesse país, desde a Revolução Cultural, onde se usam os ideogramas em vez do alfabeto romanizado. O grande desafio chinês foi com a educação e com o aprendizado do inglês, para eles se inserirem no moderno mundo globalizado. Outro grande desafio é que tendo uma população de 21% da população do planeta, tem apenas 7% das terras agriculturáveis.

As cidades litorâneas me atraem e estava curioso por conhecer The Bund ou Wai Tan, que é a avenida que costeia o rio - um enorme calçadão onde os turistas, a maioria deles chineses, se deliciam com a vista dos prédios ultramodernos do Centro Financeiro de Pudong, na margem oriental, onde sobressai a imponente Oriental Pearl Tv Tower. É o cartão postal e símbolo da cidade, onde se localiza a estação dos ferrys que unem as duas margens, e onde antigas e luxuosas embarcações transformaram-se em aconchegantes restaurantes. Você pode cruzar o rio pelo metrô, pontes ou pelos ferrys. Preferimos cruzar no ferry, pois era uma melhor forma de apreciar a paisagem. Sempre que conheço uma cidade pela primeira vez, não deixo de conhecer seu transporte público – principalmente o metrô. Aventuramo-nos no ditie - forma traduzida alfabeticamente de metrô em mandarim. Nossa experiência foi um caos. Ninguém respeita filas, empurram-se, mas eles são muito limpos e eficientes.

À medida que acontecia a viagem nos tornamos mais cômodos, e como o taxi era muito barato e os taxistas falavam algo de inglês, optamos por essa forma de nos deslocar. No momento de nossa viagem, 2014, comemorava-se a inauguração das linhas 12 e 16, e a metrópole chinesa passava a ter o sistema de metrô mais extenso do mundo – mais de quinhentos quilômetros.

Alternávamos nossos passeios também pelo Bairro Francês – que corresponde ao centro da antiga concessão francesa - e o bairro de Xintiandi, cujas ruas são sombreadas por um túnel de álamos, lembrando muito a Paris. Freqüentamos seus aconchegantes cafés e seus bons restaurantes italianos para fugir um pouco da comida chinesa. Apartamentos estilo deco se misturam com moradias neoclássicas. É uma zona ideal para percorrer a pé entre prédios antigos bem conservados convivendo harmonicamente com a arquitetura moderna. Estes dois bairros são um pedaço do Ocidente dentro de Shaghai.

Num dos dias em que Martin tinha compromisso com seu trabalho, fui caminhando até a zona dos brics. Vale a pena visitar um bric na China - terá muitas surpresas. A arte antiga chinesa é de primeira qualidade: peças de jade, bronze, folders da época de Mao, porcelanas de bom gosto. Gastei a manhã percorrendo as ruelas do pitoresco bairro entre galerias de arte, antiquários e pintores exercendo sua arte a céu aberto.

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Arquitetura milenar e inconfundível
Arquitetura milenar e inconfundível

Deixamos um dia completo para visitar a Shanghai Old Street, historicamente chamada Miaoquian Dajie, que é uma das ruas comerciais mais antigas da cidade, e que tem uma combinação de atrações turísticas, como lojas, entretenimento, exposições culturais e casas de chá. Ali tem um agitado comércio que borbulha desde cedo. A arquitetura da maioria dos prédios reflete a influência das dinastias Ming e Qing. É elegante em sua simplicidade clássica. Seus telhados pretos com beirais nivelados e graciosos são fascinantes. Finalizamos o passeio no Yuyuan Garden. O Jardim do Encantamento, como é chamado, tem muitas flores, muito verde e um pequeno lago com carpas, cortado por uma ponte de madeira, pintada de vermelho e em zigue zague, que leva a mais famosa casa de chá de Shanghai – Huxingting. Segundo as tradições chinesas, a ponte protege a casa, pois se acredita que maus espíritos não viram esquina. Muitas vezes, ao anoitecer, íamos para o Bund apreciar a silueta dos prédios iluminados da margem oriental. Iniciávamos um recorrido pela Nanjing Road com seus enigmáticos luminosos; suas grandes lojas de departamentos; modernos Shoppings Center, hotéis e restaurantes chineses de todas as categorias. Caminhávamos até a People Square. Às vezes, percorríamos o trajeto num trenzinho para turistas e retornávamos caminhando, desfrutando da culinária chinesa. Picotávamos bolinhos de chuva, dim sums, e outras iguarias. A gente se divertia vendo alguns insensatos degustando os mais indescritíveis insetos foi quando tivemos nosso momento de trairagem. Fotografei o Martin fazendo de conta que comia uma tarântula. Não vai colocar no instagram! Ele já tinha me filmado numa conversa com um taxista e enviado para seu grupo do whatsApp.

Gozava com minha pronuncia querendo imitar o british accent de minha professora Roslyn. Éramos como dois adolescentes felizes com nossa aventura. Decidimos encerrar nosso mochilão fashion num club top, e escolhemos o bar e club Rouge, situado no topo de um edifício na parte histórica do Bund. Quando chegamos, questionei o Martin: “Que comunismo é esse parceiro!” Os chuppies chineses – yuppies americanos-, chegando com seus carros caríssimos e coloridos – Ferrari tem que ser amarela, pois é mais chamativa - acompanhados de jovens na última moda ocidental, e com os mais caros acessórios de grife.

Nossa última lembrança de Shanghai foi desde o deck, degustando um vinho branco e petiscos chineses, contemplando a vista sensacional dos prédios hi-tech de Pudong. Parecia estarmos em Dubai ou Nova York. Shanghai foi amor à primeira vista.